13 de nov. de 2017

PISTACHE DRUM AND BASS VIRTUAL DJ SET






Toda vez que eu penso na minha vó cada vez mais percebo como ela era uma pessoa genial.
Ela não era de falar muito e se comunicava mais por gestos e muitos desses gestos eram tão sutis, tão curtos, que só muitos anos depois dela ter morrido eu comecei a entender.
Mas quando falava, mudava o ar ao redor dela.

Ia do silêncio à frases soltas sem avisar, algumas ironias (umas amargas, outras doces), mas sempre calava todos.
Um dia ela disse, sem motivo nem contexto: "vivi demais pra uma vida só". 
E como viveu.

Conversava em português, falava sozinha e brigava em alemão, se assustava e xingava em italiano, assim era ela.
Entre um xingão e outro me apelidou de Golem (o melhor apelido que qualquer ser humano pode ter na vida), e me passou a me chamar assim resumidamente quando tava feliz ou irritada comigo.
Dicotomia amorosa.

Quando eu tinha dez anos de idade eu briguei com o vendedor de uma loja porque a bicicleta na vitrine estava empoeirada.
O vendedor contou pra minha vó (interior né, todo mundo sabe quem é a vó dos outros) e ela foi lá e comprou a bicicleta pra mim.
E limpou todo o pó antes de me dar.

Sem jeito pra essas coisas, deixou a bicicleta no porão encostada na lenha empilhada, eu achei e fui perguntar de quem era.
Ela respondeu "é tua, ninguém anda de bicicleta aqui".


"Eu te-nhô, você não te-nhê!!"

Ela se arrependeu, eu saía pra pedalar e só aparecia pra comer e dormir, e olhe lá.
Me deu um videogame na tentativa de me fazer ficar dentro de casa.
Levei o videogame pra um amigo meu e voltei com outra bicicleta igualzinha a minha, mas vermelha.
Agora eu tinha uma azul e uma vermelha e só voltava pra casa pra trocar de bicicleta, comer o pão dela e pra dormir.


"Eu tenho du-as, você ne-nhuma!!"

Só fui ficar um pouco mais em casa, muito entre aspas, quando descobri o rock and roll.
E ela se acostumou com isso também.
Aprendeu a gostar inclusive. Fazia cara que não mas né, os pés batendo no ritmo entregavam.

A dona Ernestina gostava de Jethro Tull (a banda da flautinha), Joy Division (a banda do fanho que canta bem) e Dead Kennedys (a do cantor com voz do Pato Donald).
Nunca vou entender como ela, sem nunca ter falado inglês na vida, sabia que o Ian Curtis era fanho.

Aliás pega essa, uma das músicas favoritas dela parecia ser "Time to Melt" do LARD, projeto do Ministry com o Jello Biafra cantando. Definitivamente ela gostava de uma musica sinistra.


"A nossa próxima música é sobre a vó do Luiz, Ernestina Uber Alles!"

Mesmo assim ela tinha limites: odiava Iron Maiden, Slayer e Carcass por motivos óbvios.
Tinha medo do Deicide por motivos mais óbvios ainda.
Alías um dos melhores conselhos que ela me deu na vida foi: "Você vai ficar papudo se ficar imitando esses Glebento aí".


"Oi vó, esse é o Glen Benton."

Sim, eu expliquei quem era o Glen Benton pra ela.
Quando mostrei um vídeo do Pantera ela se limitou a perguntar: "Esse Pantera aí não tem amigo né?"


"A vó falou pra você não ir mais lá em casa."

Aí eu descobri o Reggae.
Só o Reggae, juro, a maconha só fui descobrir depois de velho.

Mostrei a capa do disco do Peter Tosh ela perguntou se ele era brasileiro.
Duas semanas depois eu já pegava ela cantando o "eia, eia" que vem depois de "Legalize it".
Como Peter Tosh não tinha flauta, não era fanho, não tinha voz de Pato Donald e não urrava como o Glen Benton, quando minha vó percebia que eu iria colocar alguma música pra ouvir ela pedia sem pedir cantando sem cantar algo como "oummbai, oummbaii" quando eu passava pela cozinha.

Era "them want I, them want I", pelo jeito da faixa favorita dela.
E lá iamos nós ouvir reggae enquanto eu montava meus skates e ela tomava chimarrão.
Queria ter fumando maconha com ela, seria épico.
Quintal pra plantar não faltava.


"Larga meus pé de couve guri!"

E por falar nisso nessa época eu comecei a fugir pra Curitiba pra andar de skate.
Quando eu reaparecia em casa, ela me xingava em todas as línguas que conhecia de uma vez só.

Quando me perguntaram porque eu ia tanto pra Curitba eu podia ter respondido "lá tem pista de skate".
Mas não, caipira como eu era, disse apenas "Curitiba tem hamburguer e mostarda amarela".

Ela não sabia o que era hamburguer então começou a achatar carne moída e fritar e nunca mais faltou mostarda amarela na geladeira. Quantos "eu te amo" não ditos cabiam nos gestos mudos da minha vó? Nunca saberia contar.

Quando eu passei no vestibular e disse que não queria morar em Curitiba mas em Florianópolis ela se tocou que eu queria ir pra longe. E demoraria cada vez mais pra retornar pra debaixo da asa dela.

Quando me despedi ela estava sentada do lado do fogão como sempre e me deu o mesmo beijo apressado e dois tapinhas de mão que eram sempre mais um empurrão que um abraço.

Em dezoito anos convivendo com ela eu só lembro de ver minha vó chorar três vezes: quando minha mãe morreu, quando meu cachorro morreu (o Pluto, esse me entendia) e a primeira vez que voltei pra Rio Negro quando já estava morando em Florianópolis. Aí ela mesma morreu seis meses depois. 

Tadinha, merecia uma estátua em praça pública e acabou ganhando uma homenagem póstuma no blog falido do neto.

Eu venho de família pobre e odiava manteiga porque pra mim manteiga representava pobreza e margarina representava uma família que tinha dinheiro. Na casa dos meus amigos sempre tinha margarina, na minha só manteiga.

Na televisão só aparecia propaganda de margarina, com famílias ricas e felizes.
Quando então passei a morar sozinho só entrava margarina na minha casa.

Mas em um dia já bem adulto eu vi uma embalagem de manteiga com uma imagem de uma vaca sorridente (pois é) e comprei sem pensar. Na hora do café passei a tal vaca sorridente no pão e na primeira mordida uma vida inteira se passou pela minha cabeça.

Tinha gosto de infância, de brincar com cachorro e do cheiro de pão da minha vó.

Tinha sensação de joelho ralado, banho tomado, Nescau quente e desenho animado. 

Comi todos os pães que havia comprado e acabei com a manteiga antes de levantar da mesa. Aliás não levantei da mesa, depois de seis pães e 200 gramas de manteiga e meio litro de Nescau com leite só me restou continuar revivendo a imagem de mim mesmo criança, com o bucho cheio e enjoado por não saber ainda o limite entre fome e gula. 

A partir de então viciei em manteiga, no outro dia comprei duas vacas sorridentes pra garantir e nunca mais comprei ou comi margarina na vida e pelo jeito já sei de que eu vou morrer. 
Mas morrerei com o sorriso de uma criança gordinha feliz.

Talvez eu tenha de fato um coração de manteiga.

Tempos depois, um dia no supermercado eu vi um saquinho de pistache e comprei pra ver se era bom.
E quando eu tava comendo me passou pela cabeça: será que minha vó conheceu pistache quando tava viva? Acho que não.

Mas Drum and Bass ela conheceu, foi a últuma tortura musical que eu mostrei pra ela.
Ignorou completamente, velha idiota.

Decerto porque ela não encontrou forma de bater os pés no chão pra acompanhar.
Ou talvez porque já tinha vivido demais, uma verdadeira Junglist.

Eu precisaria de um livro, de mil páginas, pra contar a vida tristemente surreal que ela levou.
A adaptação para o cinema ganharia um Oscar de certeza.
A atriz principal teria de ser uma mistura Meryl Streep com Dercy Gonçalves.
Saudades.

Precisaria de outro livro pra explicar porque Drum and Bass é tão importante pra mim.
É parte da minha adolescência, vida adulta e será da terceira idade.
É vivo, é puro, é verdadeiro.
É um universo, com todos os planetas, estrelas e luas.

Um buraco negro com comportamento de Big Bang: absorve o Hip Hop, o Rap, o Jazz, o Funk, o Soul, o Rock, o Heavy Metal, a MPB, a House Music, o Techno, o Reggae, o Dub e devolve tudo na sua cara sem dó.

Na verdade não sei explicar, só sei dizer que é a música mais simples/complexa, doce/amarga, leve/pesada, sutil/bruta que existe. 

É tudo.
Quem conhece sabe.
E Drum and Bass me deixa feliz, como duas toneladas de pistache.

O set tem algumas das músicas que eu mais amo no estilo, a maioria da última geração de grandes produtores, tem pelo menos dois clássicos eternos e três vozes que embalaram muito a minha vida: Lindy Layton, Lauryn Hill e Jaheim. 


Drum and Bass 
Quantidade100 gramas
Água (%)4
Calorias589,29
Proteína (g)21,43
Gordura (g)50
Ácido Graxo Saturado (g)6,07
Ácido Graxo Monoinsaturado (g)33,21
Ácido Graxo Poliinsaturado (g)7,5
Colesterol (mg)0
Carboidrato (g)25
Cálcio (mg)135,71
Fósforo (mg)510,71
Ferro (mg)6,79
Potássio (mg)1107,14
Sódio (mg)7,14
Vitamina A (UI)250
Vitamina A (Retinol Equivalente)25
Tiamina (mg)0,82
Riboflavina (mg)0,18
Niacina (mg)1,07




Notion - Even Out 
>>> Beats International - Just Be Good To Me (Acapella)
Mark System - Waiting for a Meaningful Title
Calibre - Go Back to Go Forward
Craggz & Paralell - Turn the Page
Electrosoul System & Sunchase - Alluvion
DRS - Playing With Fire
Purple Haze - Purplescape
Mark System - Pursuit
>>> Fugees - Ready or Not (Acapella)
dBridge - Dead Peak
Calibre - No More
Jaheim - Put That Woman First

11 de set. de 2016

LIMÃO LOW BPM VIRTUAL DJ SET


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O Bira.

Alguns anos atrás eu tive um grande colega de trabalho, o Ubirajara. Resumidamente, o Bira.
O Bira além de um ótimo trabalhador era muito engraçado, e quase sempre involuntariamente.

Uma vez nós conversamos sobre o problema da existência de banheiros públicos coletivos masculinos e os tipos invariavelmente assustadores que pareciam viver por lá. O filho da puta que entra assoviando fingindo estar relaxando e provando estar mais tenso que qualquer outro, o infeliz que puxa assunto quando você está mijando, o mais infeliz ainda que antes de mijar te dá um tapa nas costas enquanto você ainda está mijando, o que entra em silêncio e te dá um sorrisinho, enfim, a lista de erros num banheiro coletivo masculino é imensa.



"Você vem sempre por aqui?"

Mas nada ganha da aflição de ter de fazer cocô fora de casa e o medo de que alguém te reconheça pelo seu calçado pelo vão inferior da porta.

Segundo consta este vão foi criado para situações onde a pessoa passa mal e desmaia ou coisa parecida e assim ela pode ser socorrida mais facilmente e claro, também ajuda muito qualquer vigia descobrir contando os pés de quantas pessoas estão dentro do espaço onde deveria ter uma só mas na minha humilde opinião o vão inferior dos cagódromos públicos possuem uma função bem clara: um sistema de assédio e vigilância horizontal constante, uma sociedade distópica onde todos vigiam todos e o seu chefe fica tranquilo sem precisar gastar com reuniões e sermões e advertências .

Nada controla mais uma pessoa que um colega descobrir ela cagando em banheiro público.

Já ouvi caso de gente levando a mochila para esconder os pés e cagar em paz.

E acabar sendo reconhecido pela mochila mesmo.

Tem também aquele que cagava no trabalho com tanta frequência a ponto de sempre sair com o celular teatralmente e dizendo precisar fazer uma ligação mais demorada mas um dia, em pleno ato, o celular realmente tocou e um colega (estava só mijando pelo jeito) reconheceu o toque.  

Desmascarado, passou a não mais fazer ligações.

O Bira mesmo disse uma vez, com sua genialidade involuntária de sempre:

- Prefiro morrer num acidente de avião a ser pego cagando no trabalho, morrer voando você ainda tem chance de ser lembrado com carinho.



"Era um cagão, mas muito gente boa."


Pois num belo dia eu entrei no banheiro (apensas pars mijar, juro) e adivinha? Olhei para o vão de uma das portas e la estava ele: o par de sapatênis bicolor do Bira. Fiz "toc toc toc" na porta e disse sem dó "faaala Bira, beleza?"


"Bira, você por aqui?"

Longos 3 ou 4 segundos depois ele respondeu com a voz fina mais grossa da história, quase um ventríloquo: "Íae, beleza?". Literalmente falando pelo cu.

Ele nunca mais foi o mesmo comigo depois disso, pareceu ter travado este momento da nossa intimidade e nunca mais me disse um simples "bom dia" ou "boa tarde", todo oi agora era sempre "Íae, beleza?", sem olhar diretamente nos olhos e com sorriso sempre culpado, mas continuou sendo sempre o Bira, grande Bira.



"Íae, beleza?"

Mas isto é passado, agora o Bira é meu vizinho. E não sabe disso.
Moro num prédio de três andares rodeado por casas numa rua bem inclinada e a casa do Bira é alinhada com as janelas do meu apartamento, uns 20 ou 30 metros distante.

Pelas diferenças de horário o Bira nunca me viu ali pela rua, mas eu sempre vejo ele lavando o carro, regando o jardim, sentado na varanda, chegando do trabalho, pendurando toalha na janela.

E sempre que o meu humor permite os astros se alinham e eu vejo ele, seja as seis da manhã, meio-dia ou seis da tarde, dia útil, domingo ou feriado, se eu estiver tomando banho, cozinhando ou arrumando o quarto eu não perco a chance: me escondo de forma que ele não me veja mas ainda possa ver a reação dele e grito "BIRÁÁÁÁÁÁÁ!" com ênfase no "A" ou "Ô BÍÍÍÍÍRA!" com ênfase no "I".

Ele olha para a frente ou para os lados desconfiado e com o olhar desfocado e na dúvida sempre sorri para o nada. Um sorriso como quem diz "Eu faço cocô em banheiros públicos, o tempo todo."
Uma vez ele olhou pra cima, juro, provando de alguma forma já acreditar numa voz superior chamando ele para uma missão.



"BIIIIRÁÁÁ"


E se você acha este ser o limite, saiba que já faço isso há quatro anos sem cerimônia nenhuma.
Não deve ser fácil ser o Bira, nem sempre faz cocô em casa.
E quando está em casa, ouve vozes.
 


"Eu faço cocô e ouço vozes, o tempo todo."


Vamos ao set, é Limão, pra acompanhar o Chá
Trip hop e Dubstep ácidos com raspas de Hip Hop.
Galego, cravo, tahiti e sicilianos musicais.
No chá, na salada, na tequila e na coca-cola.
E uma supresinha doce/salgada/amarga/azeda no final.
Como a Vida.
Quem conhece ama.

Bora fazer/ouvir um chá, depois um limão pra acompanhar.
Clica lá em cima ou aqui embaixo.
 
Beijos e abraços.



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A/T/O/S
Chet Faker
Commodo
Cravo
Distance
Galego
Gantz
Guts
Kahn
LX One
Massive Attack
Mike G
Rae Sremmurd
Siciliano
SP:MC
Tahiti
The Clash
Vida Killz


19 de nov. de 2013

JANELA LOW BPM VIRTUAL DJ SET






Ah, a janelinha do avião. Eu faço qualquer coisa pra sentar nessa janelinha.

Eu votaria em um candidato que fizesse questão de sentar na janelinha do avião presidencial.

Eu pediria uma mulher em casamento se ela brigasse comigo para sentar na janelinha do avião sendo muito óbvio que eu não cederia o lugar, mas amaria ela por isso.

Os melhores amigos gostam da janelinha do avião, as melhores pessoas jamais abrirão mão da oportunidade de olhar o mundo lá de cima pela janelinha.

Eu adoro o conceito distorcido de status incutido na frase "coisa de pobre sentar na janelinha".

Perceba, quem diz isso são os mesmos que se acotovelam para descer logo do avião no aeroporto com aquela expressão "a minha pressa é mais importante que a sua alegria" capaz de tornar qualquer ser humano feio e amargo.

Pobre é tentar parecer importante aos olhos de estranhos, pobre é não gostar de olhar o mundo de cima das nuvens, é ser tão desinteressante em seu mundinho a ponto de fingir achar (ou achar de fato) o mundo ao redor sem graça.

A janelinha do avião é um exercício de paz e reflexão. 
E imaginação.



"Come hell or high water!!"

Quando o avião está acima das nuvens eu invariavelmente penso se não existiria um lugar melhor para se viver ali, onde todas as meias fossem descartáveis e as louças comestíveis, onde ninguém te oferecesse Nescafé, com Coca-Cola gelada saindo das torneiras e onde a pena de morte seria enfim instituída para todo imbecil que tivesse a coragem de perguntar "pode ser Pepsi?".

Um lugar onde pinhão fosse considerado fruta e seria a fruta da estação o ano inteiro, onde todos os peixes já sairiam da água pré-fritos e à milanesa, onde livros ainda fossem lidos e pessoas ainda seriam mais interessantes que aplicativos de celular.

Um lugar onde os comissários e pilotos falariam português e inglês e não aquele dialeto bizarro onde eles misturam ambas as línguas e erram em ambas.

Enquanto os pobres de espírito 5G ainda tentam manter a pose instagramando o ego e fazendo farofa-fa-fa comendo bolacha Piraquê do serviço de bordo eu pego só uma água e forço a vista para mais longe ainda me perguntando se aquela nuvem lá no fundo não seria enfim o tal céu canino como me foi prometido na infância.

E aí me pergunto se o meu finado cão Pluto estaria lá mas esse pensamento não dura dois segundos pois, sendo de quem era e fazendo o que eu pedia para ele fazer esse cão só pode estar agora no inferno, mordendo a canela do diabo como eu ensinei ele a fazer com todo mundo que eu não gostava ou me contradizia.

E fico feliz ao concluir isso pois o inferno é quentinho e terei um bom amigo lá.



"Até que enfim você chegou!"

Aí eu vejo as comissárias recolhendo os copinhos e me pergunto se em aviões com primeira classe elas servem pinhão na chapa e atendem nuas, só de luvas e salto alto.

E aí me pergunto se imaginar as comissárias trabalhando nuas, só de salto e luvinha branca, não seria muito exagero da minha parte, um biquíni seria ótimo também. 



"É você que tem um blog né, qué mais uma barrinha de cereal? Qué né, eu sei que cê qué!"

As nuvens abrem e aparece lá embaixo o que sobrou da mata atlântica e eu penso se não seria bacana arrancar logo tudo de uma vez e plantar apenas milho, maçã, pinhão e melão assim teríamos milho, maçã, pinhão e melão o ano todo pra poder almoçar todo dia milho com maçã de sobremesa e jantar pinhão e depois melão indefinidamente ATÉ MORRER. 

O McDonalds teria hamburguer de pinhão com molho dijon, nuggets de pinhão e sobremesa McFlurry de paçoca de pinhão. 

Aparece uma praia lá embaixo e eu imagino se ela não seria uma praia de nudismo feminista onde apenas as mulheres ficam nuas mas logo penso estar sendo machista por pensar desse jeito e concluo: topless então, de topless e scarpin, assim todo mundo fica feliz. 

Afinal homens gostam de peitos e topless e scarpin nunca saem de moda.
Free the nipples, and the stilettos.

E assim o voo segue, olho para o horizonte novamente e logo imagino outro avião ultrapassando o meu e então reconheço uma ex-namorada na janela, trocamos tchauzinhos e levamos o seguinte diálogo com o típico abre e fecha de boca de quem está falando sem emitir som:

eu - "e aí!!!"
ela - "oiiiiii!!!"
eu - "tá indo pra São Paulo também??"
ela - "hã??"
eu - "São-Pau-looo!!"
ela - "não, Rio-de-Janeirooo!!"
eu - "hã?"
ela - "Riooo!!"
eu - "haha sim, frioooo!!"

Faço pra ela o famoso joinha de "até uma próxima encarnação" e ela sorri azedo. 
Nunca entendia o que ela falava mesmo. 

O avião dela ultrapassa pegando a via expressa aérea e eu concluo: "mal educada, ultrapassa pela direita".

A janelinha do avião é também um espelho do nosso humor.

Em bons momentos eu vejo as cidades lá de cima e imagino um mundo sem DST e pinhões cozidos no pé e já sem casca em uma enorme orgia sem culpa onde todos morreríamos ou de transar ou de tanto comer pinhão no pé. 

Ou transar de pé comendo pinhão.
E melão de sobremesa.

Em maus momentos eu já imagino as mesmas cidades com todo mundo pegando HIV e quem não morresse disso na hora aquele cogumelo atômico lá na frente daria um jeito no resto ou seja, morreriam todos ou de AIDS instantaneamente ou de queimadura causada pelo calor e radiação nucleares ou de AIDS e radiação ao mesmo tempo com trilha sonora do Slayer ao fundo e adivinhe só? 

Enquanto lá embaixo o mundo pega AIDS e fogo eu mataria todos os que estão no avião, pousaria sozinho e todo o pinhão do mundo seria meu, só meu.



"Hey Green Valley, vai tomar no cu!!"

Porque feliz é quem senta na janelinha e deixa a imaginação voar junto, pro bem ou pro mal da humanidade.

Eu imagino jogar um tomate lá de cima e ele acertar a sua testa.
Eu imagino um saco de xixi caindo na cabeça do Bono Vox.

Eu imagino a mulher mais linda do mundo sentando do meu lado e eu levaria ela para ver a borda da terra plana e diria:

- Gata, um dia tudo isto será seu, o planeta é finito mas o meu amor por você não, vou jogar catupiry na borda do mundo gata, quando o aquecimento global vier e ele derreter vai ter praia de catupiry só para você.

Eu imagino um mundo com cocos sem casca, mangas sem caroço e costelinhas de porco sem osso.
Chuva de M&Ms, tempestade de bala Toffe, temporal de Sucrilhos, baldes de Danoninho, banheiras de Yakult e piscinas de Polenguinho.

Afundar até os joelhos num lamaçal de Nutella, cair de cara numa duna de paçoca e escorregar em pedregulhos feitos de bala 7 Belo. 

Porra como o mundo poderia ser mais justo, delivery de bolinho de arroz, band-aid comestível (você comeria não me julgue), torneiras de Coca-Cola pela cidade.

Olho para baixo e vejo uma cidade dessas que só quem mora lá sabe o nome e dois prédios que parecem ser as duas únicas fábricas da cidade e imagino se não seriam as miológicas fábricas de pozinho de macarrão instantâneo e do lado a de açúcar daquela bala ácida e imagino também quão fácil seria assaltar ambas com dois caminhões, quatro homens armados, coletes à prova de balas, granadas e... deixa pra lá.

Olho para frente começo a me perguntar que se você pode pagar pelo excesso de bagagem na hora de embarcar num avião isso significa que existe espaço no avião - e só estão tentando tirar mais um dinheirinho de você - ou o avião já está no limite e pode cair por excesso de peso - e só estão tentando tirar mais um dinheirinho antes de você morrer?

Se desse pra abrir a janela durante o voo eu ficaria com as mãos pra fora o tempo todo mandando uma banana pra todos vocês mas como não se pode ter tudo na vida então eu apenas imagino.

Você imagina coisa muito melhor ou pior, tenho certeza, embora não admita pois precisa descer logo no aeroporto. 

Nem ligo, pode descer na minha frente, eu pretendia olhar a sua bunda de novo mesmo.

Bom, se ainda assim você não entende os motivos pelos quais eu gosto de sentar na janelinha fique apenas com esse sucinto poema:

"De Floripa sempre saio com uma mão no coração
Em Congonhas sempre desço com o cu na outra mão
Ainda bem que o piloto é playboy e sempre puxa o freio de mão
Porque eu sempre farei questão da janela do avião"


Em algum momento do seu dia ou da sua noite esse set vai servir pra alguma coisa.
De manhã, tarde ou noite. Ou dirigindo, ou viajando de avião.



TM Juke
Jim Ozbarough
Alice Russel
Liquid Sound Design
Mr. Scruff
Ave Blaste
Lopez
Visit Venus
Kaminanda
Guts
Calibre
Goodie Mob
Brooklin Funk Essentials



14 de jul. de 2013

CHÁ LOW BPM VIRTUAL DJ SET




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Frio pede chá
Frio pede música

6th Borough Project
Abacateiro
Alcachofra
Alcaçuz
Alecrim
Alfazema
Algodoeira
Ameixa
Angélica
Aniz Estrelado
Aperta Ruão
Arnica
Arruda
Artemisia
Arueira
Avenca
Betula
Boldo do Chile
Cajueiro
Calendula Flor
Calibre
Camomila
Canela
Canela
Capim Rosário
Carqueja
Catuaba
Cedro
Cereja
Céu
Chá Preto
Cravo
Curcuma
Curtis Mayfield
Damiana
dBridge
Dente de Leão
Dj Distance
Douradinha
Erva Baleira
Erva Doce
Espinhera Santa
Eucalipto
Funcho
Genciana
Gengibre
Gingko Biloba
Goiabeira
Graviola
Guaco
Guaraná
Hamamelis
Hibiscus
Horace Andy
Hortelã
Imburama
Ipê Roxo
J One
Jambolão
Jasmim
Jatobá
Juá
Laranja
Limão
Linhaça
Lotus
Louro
Lúpulo
Maçã
Mahavishnu Orchestra
Malva
Manjericão
Maracujá
Massive Attack
Mate
Melão
Melissa
Menta
Nogueira
Noz de Cola
Noz Moscada
Panacéia
Peroba
Quebra Pedra
Quincy Jones
Romã
Rosa
Ruibarbo
Sabugueiro
Salsaparrilha
Sálvia
Samambaia
Sapé
Sassafraz
Sene
SP:MC
The Cinematic Orchestra
The Propellerheads
Tomilho
Umbauba
Urtiga
Urucum
Valeriana
Zimbro